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Alvo de rezas e mezinhas a zona sempre despertou a curiosidade popular. É na realidade uma doença frequente, já que 10 a 20% da população terá zona em alguma altura da vida.
É provocada pelo mesmo vírus da varicela. Após a infecção inicial (que se manifesta pela varicela) o vírus aloja-se em gânglios nervosos, permanecendo aí inactivado para sempre ou pode reactivar-se mais tarde originando doença (que se traduz pela zona). Esta reactivação é mais frequente em doentes com idade avançada ou que estejam imunodeprimidos, ou seja, com o sistema imunitário debilitado, como são exemplo os doentes transplantados, a fazer quimioterapia, com linfomas e leucemias ou SIDA.
Como se manifesta a zona?
Ao contrário da varicela em que as borbulhas se generalizam por toda a pele, na zona as borbulhas ficam limitadas a uma área (dermátomo) que corresponde ao território de um nervo sensorial (ou seja, uma “faixa” de pele que corre ao longo das costelas, do braço, da coxa e perna ou, na cabeça, só na fronte, ou nas maçãs do rosto ou mais abaixo junto ao ângulo do maxilar) e só de um lado do corpo. Nos dias antecedentes ao aparecimento das lesões na pele os doentes poderão queixar-se de dor, ardor e formigueiros nesse local, o que pode levar a confusões diagnósticas com cólicas renais, infecções urinárias ou hérnias discais.
Surgem posteriormente, nessa área, vários grupos dispersos de lesões em “cacho” ou “ramo de flor”, constituídas por borbulhas pequenas com líquido (vesículas) sobre uma área avermelhada. Ao fim de alguns dias as borbulhas podem juntar-se em bolhas de líquido maiores e ganhar pus, rompem e transformam-se em crostas mais secas. A zona pode ocorrer em qualquer parte do corpo, mas é mais frequente no tronco (ao longo de 2 ou 3 costelas) ou na face (fronte e têmporas).
Tipicamente só atinge um dos lados do corpo e as borbulhas param mesmo na linha média do corpo. Em casos raros, em doentes imunodeprimidos, pode disseminar-se. Em rezas populares ainda se veicula o medo: “Eu te rezo cobrão (…) Não ajuntes o rabo com a cabeça” sugerindo a hipótese de a zona afectar os 2 lados do corpo, o que habitualmente traduz uma doença grave que lhe está subjacente.
É contagiosa?
Até se formar a crosta, as vesículas contêm o vírus, daí que o contacto directo com as lesões por pessoas susceptíveis (crianças que ainda não tenham tido varicela, imunodeprimidos e grávidas) possa originar varicela.
Quais as complicações principais?
Em doentes imunodeprimidos ou com mais idade as complicações podem ser mais graves. O aparecimento de numerosas vesículas fora do dermátomo, sobretudo nas primeiras horas, é um sinal de alarme para uma possível disseminação do vírus. A localização da zona na parte superior da face pode acompanhar-se por uma lesão do nervo oftálmico, e por isso o doente deve ser observado por um oftalmologista, de maneira a detectar precocemente alterações e a evitar complicações oculares graves. Uma complicação tardia que atinge alguns doentes, é a nevralgia pós-herpética, definida como a dor que persiste mais de 4 semanas nas áreas afectadas, após a cicatrização das lesões cutâneas, que pode mesmo ser incapacitante e durar meses a anos.
Qual o tratamento?
Quanto mais cedo se iniciar o tratamento (o ideal será nas primeiras 72 horas após o início das lesões) com medicamentos por via oral (antivíricos), mais eficaz se torna a redução da dor e das lesões. O alívio da dor com analgésicos é fundamental, bem como manter a pele limpa para evitar infecções. No que se refere à dor tardia estão disponíveis várias armas terapêuticas, que incluem medicamentos orais e de aplicação tópica. Felizmente a maioria das pessoas só tem zona uma vez na vida.
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