A PELE O DERMATOLOGISTA RAZÕES PARA CONSULTAR DOENÇAS DE PELE RESPOSTA ÀS SUAS DÚVIDAS NOTÍCIAS
 
As doenças da pele variam na sua frequência de acordo com a idade
 
 
Doenças de pele
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Verrugas e outras doenças pelo vírus do papiloma
   
  O vírus do Papiloma Humano (HPV) pode infectar a pele e algumas mucosas dando origem a verrugas que têm expressão clínica particular, dependendo do serótipo do vírus e da localização da infecção.

As formas mais frequentes são as verrugas vulgares, vulgarmente designados “cravos” , que surgem mais frequentemente nas mãos. Podem ser únicas ou múltiplas, são assintomáticas, excepto se em redor das unhas ou nas articulações pois podem ferir, sangrar e doer. São lesões elevadas de poucos milímetros de diâmetro rosadas de superfície rugosa, por vezes com pontos negros no seu interior. Na face estas verrugas podem manifestar-se como pequenos prolongamentos filiformes ásperos, que no homem, na área da barba, são múltiplos disseminados pelo acto de barbear – verrugas filiformes. Na face há também verrugas planas, pequenas borbulhas de poucos milímetros, redondas ou poligonais, de cor castanha clara ou róseas, que por vezes se dispõem em fila pois no acto de coçar a unha arrasta os vírus e deposita-os ao longo da linha de arranhamento.

As verrugas dolorosas são as verrugas plantares que se localizam na planta do pé. Devido ao peso do corpo não são salientes mas crescem para o interior e provocam dor ao apoiar o peso do corpo sobre elas. Confundem-se muitas vezes com calosidades. Como, de momento não há nenhum medicamento que “mate” o HPV, as verrugas são destruídas por aplicação de cáustico (pomadas e líquidos) sobre a lesão. Existem ainda várias técnicas ao alcance do Dermatolgista para resolução destas infecções HPV (crioterapia, electrocuagulação, Laser, etc), não estando habitualmente indicada a cirurgia clássica.

O HPV pode também provocar verrugas na pele e mucosas da área genital, os condilomas. Estes representam a infecção genital mais frequentemente observada em consulta de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Na pele da vulva, do pénis ou em redor do ânus, formam pequenas vegetações róseas assintomáticas, “amoras”,”cristas de galo” ou, quando de maiores dimensões e confluentes, o aspecto de “couve-flor”. Após a transmissão, o vírus pode ficar nas camadas superficiais da pele sem se multiplicar, não origina lesões visíveis e na maioria das vezes a infecção é transitória, isto é, cura por si. Mas calcula-se que 10-20% da população sexualmente activa possa ser portadora e transmitir o HPV.

A grande maioria destes condilomas é provocada por serótipos do HPV ditos de “baixo grau”, ou seja, com baixa capacidade indutora de cancro da região anogenital. No entanto, dada a possível coexistência de vários serótipos na mesma lesão, a presença de HPV de “alto risco” não é de excluir, sobretudo em doentes com compromisso das defesas do organismo, como na infecção HIV e em transplantados de órgãos.

O diagnóstico desta infecção tem particular importância na mulher e em homens que têm sexo com homens, dada a possibilidade de associação a doença maligna do colo do útero e ânus. Para o diagnóstico da infecção nestas localizações é importante a realização de um exame, vulgarmente designado por “Papanicolau” ou citologia, que poderá ser feito em consulta de Planeamento Familiar, Ginecologia e/ou consulta de IST em Dermatologia.

A infecção HPV anogenital está muitas vezes associada a alguma morbilidade física e emocional. Sintomas como dor, prurido, sangramento e dor quando das relações sexuais, podem estar presentes, assim como, sentimentos de angustia, culpa e grande ansiedade. Tal como nas outras verrugas, o tratamento dirige-se apenas à destruição dos condilomas. A observação dos parceiros sexuais é importante pois permite diagnosticar e tratar as lesões de condiloma quando visíveis, assim como, avaliar outra/outras infecções sexualmente transmissíveis que possam estar presentes.

A prevenção da infecção é importante e deverá compreender: a limitação do número de parceiros, a utilização de preservativo, (embora nesta infecção a protecção possa ser limitada) e a administração quando recomendada, da vacina para o HPV. Actualmente existem duas vacinas profilácticas para a infecção HPV anogenital, mas apenas uma se encontra incluída no programa de vacinação das adolescentes de sexo feminino, desde 2008. Trata-se de uma vacina que mostrou ser eficaz contra os 4 serotipos de HPV responsáveis pela patologia anogenital mais comum e pelo cancro do colo do útero.
   
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