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A urticária é uma reacção da pele em que surgem, de forma súbita e com comichão, manchas vermelhas, de tamanhos diferentes e contornos nítidos, com relevo, vulgarmente designadas por “babas” ou “favocas”. Estas surgem em qualquer parte do corpo e desaparecem em minutos ou horas, sem deixar qualquer marca na pele. Por vezes também ocorre inchaço dos lábios ou pálpebras, de forma mais duradoura – é o angioedema.
É uma situação muito frequente e sem gravidade mas que, pelo incómodo que provoca (comichão) e pela visibilidade das lesões, gera habitualmente ansiedade e leva muitas pessoas a recorrer aos Serviços de Urgência. Quando as lesões se localizam à face há o receio, habitualmente injustificado e erradamente difundido entre o público e mesmo nalguma classe médica, que o inchaço se possa estender à “garganta” e causar asfixia. Mas, na realidade, este risco limita-se a situações agudas de alergia imediata a medicamentos ou ao veneno de abelha e numa doença familiar muito rara (angioedema hereditário).
Na grande maioria das vezes a urticária é esporádica e dura menos de 24 horas (urticária aguda), mas em alguns casos pode manter-se dias ou semanas e, em casos raros, persistir além das 6 semanas - são as urticárias crónicas. Em todas estas formas a lesão é a típica “baba” que resolve nuns locais e surge noutros.
A urticária é originada pela activação de células da pele – os mastócitos - que libertam histamina, a mesma substância que os picos da urtiga “injectam” na pele durante a picada - daí o nome da doença e a semelhança entre a urticária e a reacção à picada da urtiga. Estas células libertam a histamina por contacto com as substâncias a que o indivíduo é alérgico, mas muitas outras causas podem activar estas células e provocar a mesma reacção.
A urticária aguda é muito frequente - metade da população tem um episódio de urticária em alguma fase da sua vida. Pode ser uma manifestação de alergia a alimentos (mariscos, especiarias, frutos secos e frescos como banana e Kiwi), medicamentos (penicilina), latex e plantas, mas as formas alérgicas, ao contrário do que se possa pensar, são raras (<10%) e desaparecem quando cessa a exposição ao alergénio. Na suspeita de alergia pode realizar uma análise de sangue ou efectuar testes da “picada”, mas na maioria das vezes não se identifica a causa nem há justificação para a realização de testes ou outras análises.
As urticárias crónicas, pela persistência das lesões ou irregularidade e imprevisibilidade do seu aparecimento, têm um grande impacto na qualidade de vida. Na sua grande maioria não são graves, em mais de 80% não se identifica uma causa: não há qualquer alergia, mas o uso de anti-inflamatórios para o tratamento da dor ou reumatismo ou de xaropes da tosse com codeína desencadeiam com frequência surtos de urticária. Nestas urticárias crónicas é necessário efectuar análises para tranquilizar o doente e eliminar uma doença associada, mas os testes das “picadas” não têm habitualmente indicação.
Algumas destas reacções acontecem após fricção, vibração ou pressão sobre a pele, exposição ao calor, frio ou sol ou realização de esforço físico – são as urticárias físicas. Por exemplo, com um objecto pontiagudo podemos escrever na pele e esta, em poucos minutos, fica vermelha e em relevo – é o dermografismo; quando arranhamos ou coçamos a pele ou damos uma bofetada, os dedos ficam marcados na pele durante minutos e provocam muita comichão; a pressão de elásticos da roupa provoca “babas” que demoram minutos a horas a desaparecer – é a urticária de pressão. Na urticária ao frio surge comichão na boca e lábios ao comer um gelado ou formam-se “babas” ao molhar o corpo em água fria (banho de mar), havendo aqui o cuidado para não expor grandes superfícies do corpo simultaneamente a essa água fria – nesta urticária a aplicação de um cubo de gelo no antebraço durante uns minutos desencadeia a “baba” de urticária no local de contacto.
O diagnóstico de urticária é fácil e pode ser feito por qualquer médico, contudo a sua avaliação e tratamento nas formas mais crónicas ou recidivantes necessita do conhecimento do Dermatologista que pode ter necessidade de recorrer e medicamentos diferentes dos anti-alérgicos habituais, os anti-histamínicos.
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