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A sarna ou sarcoptose, tradicionalmente considerada uma doença da falta de higiene, continua a existir nas nossas comunidades, desde o bebé recém-nascido contagiado pela mãe aos mais idosos que convivem em lares em que os trabalhados podem ser um importante veículo de transmissão do ácaro da sarna, o Sarcoptes scabiei. Na adolescência e idade adulta a transmissão por contágio sexual ou partilha de roupa ou do leito é também frequente, pois o ácaro pode persistir algumas horas fora do corpo humano, sobretudo em ambientes mais quentes.
Fora de um contexto epidemiológico conhecido (familiares ou parceiro/a com a doença) o diagnóstico de sarna torna-se por vezes difícil e necessita da perícia de um Dermatologista. A sarna provoca tipicamente muita comichão, sobretudo à noite (facto comum a muitas outras doenças) e as lesões da pele são muito subtis. Pequenas lesões vermelhas infracentimétricas lineares na cintura, mamilos, punhos, palmas e dedos das mãos, ou pequenas vesículas ou crostas ou lesões lineares de arranhamento um pouco por todo o tronco, são as formas subtis de expressão da sarna no indivíduo com medidas de higiene regular. Muitas vezes só quando já existem nódulos escabióticos na área genital (pequenos altos violáceos e levemente salientes), marca de uma sarna de longa evolução, ou quando vários membros da família ou da instituição se começam a coçar-se é que se faz o diagnóstico correcto.
Ao contrário, importa lembrar que a sarna não é a única doença de pele que dá comichão à noite e não se deve tratar intempestivamente uma dermatose que não responde ao tratamento habitual da sarna: este agrava muito se for uma pele seca ou um eczema que também dá muita comichão.
O tratamento deve abranger todos os indivíduos do agregado familiar e os contactantes. Além da mudança do vestuário e da roupa da cama e sua lavagem a temperaturas elevadas que matam o ácaro (>55ºC), devem ser aplicados cremes ou loções acaricidas durante 12-24h e dias seguidos, a seleccionar em função de cada caso.
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