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O Lúpus Eritematoso é uma doença auto-imune, ou seja em que
o sistema imune luta contra o próprio organismo. A doença pode atingir um ou múltiplos
órgãos, estando a pele frequentemente envolvida. Existem contudo diferentes formas
clínicas, com evolução e prognóstico muito variado:
- Lúpus Eritematoso Cutâneo Crónico: quase exclusivamente manifestações cutâneas.
- Lúpus Eritematoso Cutâneo Subagudo: essencialmente manifestações cutâneas, envolvimento sistémico ligeiro.
- Lúpus Eritematoso Sistémico: envolvimento sistémico e lesões cutâneas pouco exuberantes.
Lúpus Eritematoso Cutâneo Crónico (“Lúpus Eritematoso
Discoide”)
Caracteriza-se por lesões crónicas e persistentes vermelhas e com descamação, bordo
mais castanho e centro mais atrófico e deprimido, lesões que se não forem tratadas
atempadamente deixam cicatrizes. As lesões localizam-se nas áreas expostas ao Sol,
fronte, região malar (maçãs do rosto), pavilhões auriculares, nariz e região mentoniana
e no couro cabeludo, onde pode causar perda definitiva do cabelo. Só uma pequena
percentagem destes doentes tem envolvimento de órgãos internos.
Lúpus Eritematoso Cutâneo Subagudo
O Lúpus Eritematoso Cutâneo Subagudo é uma forma particular da doença lúpica, com
fotossensibilidade marcada (agravamento com a exposição solar) e lesões anulares
vermelhas e descamativas das áreas expostas ao sol (face, decote e dorso), que resolvem
sem cicatriz. Afecta sobretudo mulheres, e tem um padrão de análises muito típicas
– presença de anticorpos anti-nucleraes e anti-Ro, anemia e baixa de glóbulos
brancos. O envolvimento de órgãos internos, como a inflamação das articulações –
artrite - e afectação do rim, é habitualmente pouco intensa.
Lúpus Eritematoso Sistémico
O Lúpus Eritematoso Sistémico é uma doença muito heterogénea que atinge essencialmente
mulheres jovens. A manifestação típica na pele surge habitualmente de forma aguda
e transitória, sem deixar cicatriz e como uma mancha vermelha em “asa de borboleta”
ou “borboleta” pois envolve o nariz e as maçãs do rosto, respectivamente,
o corpo e as asas da borboleta. Também agravam com o Sol e podem coexistir com feridas
superficiais dentro da boca e/ou. Das anomalias do sangue, salientam-se os anticorpos
antinucleares dirigidos contra o ADN nativo. O envolvimento de vários órgãos internos
é habitualmente marcado mas muito variado de doente para doente: reumatismo lúpico,
inflamação do rim (nefrite), baixa dos glóbulos brancos e plaquetas do sangue (com
hemorragias), alterações dos pulmões, coração e mesmo manifestações cerebrais, situações
que podem colocar a vida em risco e obrigam ao tratamento com medicamentos imunossupressores
potentes.
É importante retirar a má conotação sobre a doença – LUPUS
– pois há todo um leque de manifestações clínicas de gravidade muito díspar
e, com os tratamentos disponíveis, o prognóstico está significativamente melhorado.
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