A PELE O DERMATOLOGISTA RAZÕES PARA CONSULTAR DOENÇAS DE PELE RESPOSTA ÀS SUAS DÚVIDAS NOTÍCIAS
 
As doenças da pele variam na sua frequência de acordo com a idade
 
 
Doenças de pele
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No idoso
   
 
Cancros de pele e Dermatoses pré-cancerosas
   
  O cancro da pele é o tipo de cancro mais frequente nos indivíduos de raça branca (caucasiana). A sua incidência tem vindo a aumentar progressivamente desde meados dos anos 60, sendo a excessiva exposição ao Sol responsável por mais de 90% dos casos. O aumento da longevidade e a utilização de medicamentos fotosensibilizantes ou de outros que diminuem as defesas contribuem também para o aumento dos cancros de pele. Num estudo que abrangia os últimos 5 anos (2004/2008) foi diagnosticado um novo caso de cancro de pele em cada 30 Consultas num Serviço de Dermatologia de um Hospital Central do nosso país.

O cancro da pele tem elevadas taxas de cura quando diagnosticado e tratado nas fases iniciais, pelo que a auto-vigilância e o diagnóstico precoce são essenciais. Existem três tipos mais frequentes de cancro da pele, o Melanoma, o Basalioma e o Carcinoma Espinho-celular, mas na pele podem ocorrer outros cancros como o carcinoma de Células de Merkel, o Sarcoma de Kaposi (relacionado ou não com a SIDA), diversos tipos de linfomas, etc.. O Basalioma, é o cancro cutâneo mais frequente. Tem origem nas células da camada basal da epiderme e atinge sobretudo os indivíduos de pele clara expostos cronicamente ao sol: trabalhadores rurais, pescadores, trabalhadores da construção civil, etc. Surge habitualmente depois dos 40 anos e localiza-se preferencialmente nas áreas do corpo mais expostas ao sol: face, pescoço e dorso.

Manifestar-se sob a forma de um nódulo rosado e brilhante de crescimento lento ou de uma ferida superficial, que surge sem causa aparente e que não revela tendência para a cura espontânea. O Basalioma é um tumor que pode crescer lateralmente e em profundidade mas não dá lesões à distância (metástases). O tratamento, nas fases iniciais, é muito simples (cirurgia clássica com pequena margem de segurança, criocirurgia, laser) e resulta quase sempre na cura do tumor (taxas de cura superiores a 95%).

Todavia, se for deixado evoluir sem tratamento durante anos pode tornar-se muito agressivo localmente, invadindo e destruindo os tecidos circundantes, incluindo cartilagem e osso, e provocar grandes defeitos e mutilações sobretudo em certas áreas anatómicas (nariz, pavilhões auriculares, pálpebras, etc.). Mesmo nestas fases é muitas vezes possível curar o tumor recorrendo à cirurgia e à radioterapia. Só que o doente pode ficar desfigurado para o resto da vida.

O Carcinoma Espinocelular é o segundo tipo de cancro da pele mais frequente. Tem origem nos queratinócitos das camadas intermédias da epiderme e envolve não só a pele, mas também as mucosas (lábios, boca, língua, vulva, pénis). Atinge igualmente os grupos profissionais que estão cronicamente expostos ao sol, mas de grupos etários mais avançados que no basalioma.

No carcinoma espinhocelular outros factores cancerígenos além do Sol podem ser importantes: os carcinogénicos químicos como os hidrocabonetos do tabaco, a radiação ionizante (raios X ou cobalto terapia), alguns vírus como alguns tipos do vírus do papiloma humano (HPV). É o cancro das pessoas idosas com a pele muito envelhecida pelo sol. Surge nas áreas do corpo mais expostas (face, lábio inferior, pescoço, dorso das mãos e pernas) e quase sempre sobre lesões precursoras (dermatoses pré-cancerosas). Na maior parte dos casos surge sobre as chamadas queratoses solares, ou queratoses actínicas; mas também pode originar-se a partir de cicatrizes viciosas pós-queimadura, úlceras e fistulas crónicas, radiodermites crónicas.

O carcinoma espinocelular é um tumor mais agressivo e de crescimento mais rápido que o basalioma. Manifesta-se habitualmente sob a forma de um nódulo, de crescimento rápido, com tendência para ulcerar e sangrar facilmente ou de uma ferida que cresce e não cicatriza apesar do tratamento. Além de ser localmente invasivo pode, abandonado à sua evolução natural, dar origem a metástases à distância, que podem invadir órgãos vitais (fígado, pulmões) e provocar a morte. Todavia, quando diagnosticado e tratado a tempo tem elevadas taxas de cura.

As principais dermatoses pré-cancerosas, precursoras de carcinoma espinhocelular, são as queratoses actínicas e a queilite actínica. As queratoses actinicas são lesões em que a epiderme inicia um processo de desestruturação por agressão da radiação solar. São quase um cancro em início, mas ainda localizado apenas à epiderme. Encontram-se mais frequentemente em pessoas com mais de 50 anos de idade, de pele e olhos claros e em áreas de pele expostas ao sol como a face, o couro cabeludo, o dorso das mãos e, por vezes, o pescoço e o decote. O seu aspecto inicial é uma mancha “vermelha” áspera de cerca de 2-10 mm com escama aderente na sua superfície medindo que, ao longo do tempo, se não for tratada, pode tornar-se mais infiltrada e com crosta mais espessa e saliente de cor acastanhada.

Geralmente identificam-se melhor passando um dedo e sentindo a sua rugosidade. São causadas pelo efeito cumulativo da radiação ultravioleta, sendo vulgar a existência de várias no mesmo indivíduo. O tratamento das queratoses actínicas inclui a aplicação de cremes que provocam a remoção das células danificadas da epiderme ou diferentes técnicas, algumas realizadas em Consulta de Dermatologia como a criocirurgia ( a lesão é “destruída” pelo frio do azoto líquido) ou aplicação de líquido cáustico que efectua um “peeling”. Em lesões mais evoluídas pode ser importante realizar uma biopsia e efectuar uma excisão cirúrgica ou destruição com LASER.

O lábio inferior está também particularmente exposto à radiação ultravioleta e precedendo o carcinoma espinho celular do lábio surge frequentemente a queilite actínica (inflamação do lábio causada peloo sol). Manifesta-se por uma placa de coloração mais esbranquiçada por vezes o lábio fica mais áspero, a descamar ou com feridas ou erosões que não cicatrizam.

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