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As Dermatites de Contacto ou eczemas de contacto são frequentes e representam a principal forma de alergia da pele ao contacto com substâncias do exterior. Surgem no local de contacto com o alergénio, por vezes desenham mesmo a área de contacto, e manifestam-se por comichão, vermelhidão e borbulhas, algumas com conteúdo líquido formando pequenas bolhas de água, ou pequenas feridas e crostas na pele. É importante referir que estas reacções não são imediatas; surgem, no mínimo, 1 ou 2 dias após o contacto e não ocorrem pela primeira vez que se contacta com a substância; são habitualmente necessárias várias exposições até o indivíduo se tornar alérgico.
Estas dermatites de contacto alérgicas apresentam-se sob diversos aspectos dependendo do alergénio e do local e forma como este contacta com a pele. Os principais alergénios são os metais, medicamentos tópicos, perfumes e outros cosméticos e os produtos profissionais. Mas os alergénios são muitos e variados, sendo frequentemente detectadas novas substâncias capazes de causar alergia de contacto.
Uma das situações mais frequentes e que afecta mais de 20% dos jovens em Portugal é a alergia ao metal níquel: ocorre, por exemplo, na orelha pelo contacto com brincos de fantasia (não de ouro), junto ao umbigo pelo contacto com o botão das calças de ganga ou fivela do cinto, ou no punho pele fivela da correia do relógio.
Mas são muitos outros os exemplos que podemos referir: as esteticistas que manipulam os acrilatos das unhas de gel e, ocasionalmente as clientes, podem sofrer de dermatite das mãos e em redor das unhas; as cabeleireiras e os indivíduos que pintam o cabelo, fazem alergia às tintas do cabelo que na cabeleireira se manifesta nas mãos mas no indivíduo que pinta o cabelo pode dar apenas comichão ou situações mais graves com inchaço da fronte e pavilhões auriculares ou toda a face ou bolhas no couro cabeludo e que deitam uma “aguadilha”, situações que podem motivar a vinda a um serviço de urgência; as crianças e jovens que pintam tatuagem temporárias na pele, neste caso mesmo num só contacto, podem desenvolver alergias e contacto graves e que deixam marcar para toda a vida – nesta tatuagem, dita de Henna, usam as tintas do cabelo em doses altas para pintar a pele e estas crianças podem tornar-se alérgicas não só à tinta do cabelo mas também a produtos com estrutura química semelhante tais como corantes do vestuário, anestésicos locais e outros medicamentos como as sulfamidas.
Há ainda dermatites de contacto causadas por perfumes, cremes cosméticos, plantas, materiais de vestuário e calçado, medicamentos aplicados na pele, entre muitas outras…
A dermatite de contacto é também a doença profissional mais frequente, ainda não a mais grave, mas obriga a grandes perdas de dias de trabalho, a mudanças de profissão com consequente reinvestimento na formação profissional … tudo isto quando muito se pode prevenir.
Os testes para estas alergias de pele são os Testes Epicutâneos ou Provas de Contacto e não os testes das “picadas” habitualmente feitos pelos alergologistas e pneumologistas (que tratam a asma ou a rinite alérgica). Para estes testes aplicam-se nas costas do paciente, uma espécie de selos (adesivos com os alergénios) e observa-se a pele ao fim de 2 dias para ver a quais alergénios a pele reage. O tratamento passa pela evicção do ou dos alergénios detectados e, quando necessário, na utilização de cortisona em cremes/pomadas ou em comprimidos.
Nem todas as dermatites de contacto representam uma verdadeira alergia. Algumas podem resultar da “irritação” da pele pelo contacto repetido com detergentes, champôs e outras substâncias que agridem e alteram a estrutura protectora do estrato córneo da epiderme. Estas dermatites irritativas ou traumáticas envolvem habitualmente as mãos que ficam secas, ásperas, por vezes com fissuras na pele que causam mais ardor do que comichão. Ocorrem no pessoal da saúde, cabeleireiras, pessoal de limpeza, da restauração, sendo por vezes facilitada quando à tarefa profissional se associa uma actividade doméstica extra (nascimento de um filho com contacto mais repetido com detergentes e líquidos de higiene). Estas dermatites irritativas previnem-se e tratam-se evitando o contacto directo com estes agentes e aplicando vários cremes protectores.
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